As religiosas são responsáveis pela Editora Paulinas, uma das editoras mais influentes de textos religiosos no Brasil.

GHIEC/UERJ participa da celebração pelos 80 anos da presença das Irmãs Paulinas no Rio de Janeiro
Comissão do Grupo de História da Igreja e Estudos Eclesiais esteve presente na missa em ação de graças pela trajetória das Paulinas, congregação marcada pela evangelização, pela cultura e pela comunicação
O GHIEC/UERJ — Grupo de História da Igreja e Estudos Eclesiais participou da celebração em ação de graças pelos 80 anos da presença das Irmãs Paulinas no Rio de Janeiro, realizada na Antiga Sé do Carmo, no Centro da cidade. A missa reuniu religiosas, colaboradores, amigos, representantes eclesiais e membros da comunidade católica carioca para recordar oito décadas de uma presença marcada pelo serviço à evangelização, à cultura, à formação cristã e à comunicação.
A participação do GHIEC na celebração expressou reconhecimento e gratidão pela contribuição histórica das Paulinas à vida religiosa, cultural e intelectual do Rio de Janeiro. Para o grupo, cuja atuação acadêmica se dedica ao estudo da História da Igreja, dos cristianismos e dos fenômenos eclesiais, a presença na missa representou também um gesto de aproximação entre universidade, memória religiosa e instituições que ajudaram a formar a vida cultural da cidade.
A relação entre o GHIEC e as Paulinas se fortaleceu especialmente a partir do apoio recebido durante a I Semana de História da Igreja e Estudos Eclesiais, promovida pelo grupo na UERJ. A participação na celebração dos 80 anos foi, portanto, também um gesto de agradecimento pela parceria, pela abertura ao diálogo e pelo compromisso das Irmãs Paulinas com a difusão do conhecimento, da leitura, da espiritualidade e da cultura.
Uma presença de comunicação, fé e cultura
As Irmãs Paulinas pertencem à Pia Sociedade Filhas de São Paulo, congregação religiosa fundada na Itália, em 1915, pelo bem-aventurado padre Tiago Alberione, com a colaboração de irmã Tecla Merlo. Desde sua origem, a congregação assumiu como missão evangelizar por meio da comunicação, utilizando os instrumentos disponíveis em cada tempo histórico para anunciar o Evangelho, formar consciências e dialogar com a sociedade.
No Brasil, a missão das Paulinas começou em 1931, quando as primeiras irmãs chegaram ao país. Segundo registros da própria instituição, a Província das Irmãs Paulinas no Brasil teve início com as jovens irmã Dolores Baldi e irmã Stefanina Cillario, que deram os primeiros passos de uma presença que se expandiria por diversas regiões brasileiras.
No Rio de Janeiro, essa história ganhou corpo a partir de 1946, quando nasceu uma Paulinas Livraria na cidade, dando início a uma trajetória de evangelização pela cultura. A comemoração dos 80 anos recorda, portanto, uma presença iniciada no coração da vida urbana carioca e consolidada ao longo de décadas por meio de livrarias, publicações, materiais formativos, produção editorial, música, audiovisual, catequese e comunicação religiosa.
Paulinas: imprensa, livros, audiovisual e formação
A contribuição das Paulinas para a Igreja no Brasil ultrapassa o âmbito estritamente devocional. Sua missão se desenvolveu no campo da imprensa católica, da produção editorial, da música religiosa, da catequese, da formação bíblica, da liturgia, da comunicação audiovisual e da presença nos meios digitais.
A Paulinas Editora integra o projeto apostólico da Pia Sociedade Filhas de São Paulo e nasceu do propósito de evangelizar com os meios de comunicação. Ao longo de sua trajetória, tornou-se referência na publicação de livros de espiritualidade, Bíblia, catequese, liturgia, educação, pastoral, teologia, juventude, família, comunicação e formação humana.
Também se destaca a atuação da Paulinas-COMEP, gravadora e editora musical fundada em 1960, em Curitiba, a partir de um pequeno estúdio montado na comunidade das Irmãs Paulinas. Sua origem esteve ligada à produção de programas de rádio, inicialmente gravados e enviados a emissoras, revelando o esforço das irmãs em ocupar os meios de comunicação disponíveis para a evangelização.
A Paulinas-COMEP tornou-se uma das expressões mais importantes da música católica no Brasil, atravessando diferentes suportes e linguagens — do vinil ao digital — e ajudando a formar gerações por meio da música, da liturgia, da catequese e da cultura religiosa. A própria Paulinas a apresenta como uma história marcada por criatividade, ousadia e mais de seis décadas de música e evangelização.
Além dos livros e da música, as Paulinas também se inseriram na produção de programas de rádio e televisão, ampliando sua presença na comunicação social. A instituição reconhece a Paulinas-COMEP como parte de um grupo que compreende a editora de livros e revistas, além da produção de programas de rádio e televisão.
Memória e gratidão
A missa pelos 80 anos da presença das Irmãs Paulinas no Rio de Janeiro foi ocasião para celebrar uma história construída com perseverança, criatividade apostólica e fidelidade à missão. Ao longo dessas oito décadas, as Paulinas contribuíram para a formação de leitores, catequistas, agentes pastorais, religiosos, educadores, comunicadores e comunidades cristãs.
Sua presença no Rio de Janeiro ajudou a fazer da comunicação um caminho de evangelização e da cultura um espaço de encontro. Em uma cidade marcada por intensa vida religiosa, diversidade cultural e grande circulação de ideias, as Paulinas ocuparam um lugar singular: o de mulheres consagradas que compreenderam que a palavra impressa, a música, o audiovisual, a livraria, a editora e os meios digitais também podem ser instrumentos de formação, diálogo e anúncio.
Para o GHIEC/UERJ, participar dessa celebração significou reconhecer a relevância histórica das Paulinas não apenas para a Igreja, mas também para a história cultural e comunicacional do catolicismo no Brasil. A presença do grupo na missa reafirmou seu compromisso com o estudo das instituições religiosas em sua complexidade histórica, social, cultural e simbólica.
GHIEC e Paulinas: diálogo entre universidade e memória eclesial
A participação do GHIEC na celebração também expressa uma das dimensões centrais da identidade do grupo: construir pontes entre a universidade pública, os estudos acadêmicos sobre religião e as instituições que compõem a história concreta da Igreja.
Ao estar presente na missa dos 80 anos das Irmãs Paulinas no Rio de Janeiro, o GHIEC reconhece que a História da Igreja também se escreve nas livrarias, nas editoras, nos jornais, nos discos, nos programas de rádio, nas produções audiovisuais, nos materiais catequéticos, nas bibliotecas pessoais e comunitárias, nos encontros formativos e nas redes de comunicação que atravessam gerações.
A celebração foi, assim, mais do que uma comemoração institucional. Foi um gesto de memória, gratidão e reconhecimento. Para o GHIEC, recordar os 80 anos das Irmãs Paulinas no Rio de Janeiro é também afirmar a importância de estudar a Igreja em seus múltiplos modos de presença: na liturgia, na cultura, na educação, na comunicação, na cidade e na vida pública.
Ao final, permaneceu a certeza de que a missão das Paulinas continua atual. Em tempos de transformações profundas nos modos de comunicar, ler, formar e evangelizar, sua história recorda que a comunicação, quando colocada a serviço da vida, da fé e da cultura, pode tornar-se lugar de encontro, anúncio e construção de sentido.
Deixe uma resposta