I Semana de História da Igreja e Estudos Eclesiais consolida o GHIEC/UERJ como novo espaço de pesquisa sobre religião, história e sociedade na universidade pública
Evento realizado na UERJ reuniu professores, pesquisadores, estudantes, religiosos e agentes públicos em uma programação interdisciplinar dedicada à História da Igreja, aos cristianismos e aos estudos eclesiais
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro recebeu, entre os dias 11 e 15 de maio de 2026, a I Semana de História da Igreja e Estudos Eclesiais, promovida pelo GHIEC/UERJ — Grupo de História da Igreja e Estudos Eclesiais. Realizado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas — IFCH, no campus Maracanã, o congresso marcou a consolidação de uma iniciativa discente voltada ao estudo crítico, histórico e interdisciplinar das Igrejas, dos cristianismos, das instituições religiosas e dos fenômenos eclesiais.
Com conferências, mesas temáticas, simpósios e comunicações acadêmicas, a Semana reuniu pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, articulando História, Filosofia, Teologia, Ciências da Religião, Sociologia, Ciência Política, Patrimônio, Memória, Cultura, História das Ideias e Estudos Eclesiais. A proposta do evento foi pensar a Igreja não apenas como instituição religiosa, mas como fenômeno histórico, social, político, cultural e intelectual profundamente relacionado à formação do Brasil, do Ocidente e das experiências religiosas contemporâneas.
A realização da Semana representou um marco para o GHIEC, grupo que nasce no interior da universidade pública com perspectiva interdisciplinar, não confessional e comprometida com o rigor científico. Ao longo de cinco dias, o evento promoveu um amplo diálogo entre universidade, sociedade, memória religiosa, cultura, política e produção acadêmica.
Conferência de abertura: Concílio Vaticano II, Igreja e América Latina
A abertura da I Semana contou com a presença do padre José Oscar Beozzo, uma das principais referências brasileiras nos estudos sobre Igreja, Concílio Vaticano II, América Latina e recepção conciliar. Sua conferência inaugurou o congresso refletindo sobre a importância do Vaticano II para a vida da Igreja contemporânea, especialmente a partir de seus desdobramentos latino-americanos, das conferências episcopais do continente e das transformações pastorais, sociais e políticas que marcaram a presença da Igreja na segunda metade do século XX.
A mesa de abertura contou ainda com a presença do padre Adailton Maciel Augusto, do professor Jean Felipe Assis, da UERJ e do PROEPER, do professor Flaviano Izolam, do Departamento de História da UERJ, e do professor Ricardo Antônio Mendes, vice-diretor do IFCH/UERJ e professor orientador do GHIEC. A abertura simbolizou o espírito do evento: promover um encontro entre universidade pública, pesquisa acadêmica, memória e reflexão crítica sobre o fenômeno religioso.
O momento inaugural também reafirmou a importância de estudar a Igreja em sua historicidade concreta, considerando suas instituições, disputas internas, formas de presença pública, relações com o Estado, atuação social e produção de pensamento. A conferência de abertura colocou em evidência a necessidade de compreender o Concílio Vaticano II não apenas como acontecimento eclesiástico, mas como marco histórico que produziu impactos culturais, políticos, pastorais e sociais em diferentes realidades.
Mesa “Igreja, Filosofia Cristã e Cultura Ocidental”
A mesa “Igreja, Filosofia Cristã e Cultura Ocidental” reuniu o professor Edgard Leite, o padre Adailton Maciel Augusto e o professor Jean Felipe Assis, em uma discussão dedicada à presença do cristianismo na formação do pensamento ocidental.
A conferência abordou temas como a relação entre fé e razão, a tradição filosófica cristã, a formação da cultura ocidental, a história das ideias, a constituição de categorias como pessoa, verdade, liberdade, justiça, transcendência e comunidade. A mesa também permitiu pensar a Igreja como instituição produtora de pensamento, cultura e mediações simbólicas ao longo da história.
O diálogo entre os conferencistas evidenciou que o cristianismo não pode ser compreendido apenas como fenômeno devocional ou confessional. Sua presença histórica atravessa debates filosóficos, formas de organização social, linguagens políticas, modelos educativos, noções de humanidade e disputas em torno da verdade e do sentido. A mesa destacou, portanto, a relevância da Filosofia Cristã como campo indispensável para compreender a formação intelectual do Ocidente e seus desdobramentos na contemporaneidade.
Mesa “Cristianismo Antigo, Império Romano e Formação da Igreja”
A mesa “Cristianismo Antigo, Império Romano e Formação da Igreja” integrou a programação da I Semana como um dos momentos dedicados à longa duração histórica do cristianismo e aos seus primeiros processos de institucionalização. Participaram da mesa o professor Rodrigo dos Santos Rainha — UERJ, o professor Wendell Velloso dos Reis e o professor José Roberto — UERJ.
A discussão abordou os primeiros séculos do cristianismo, considerando sua passagem de movimento perseguido e marginalizado no interior do mundo romano para religião progressivamente reconhecida, institucionalizada e articulada às estruturas de poder do Império.
Os conferencistas refletiram sobre temas como perseguições, martírio, formação das comunidades cristãs, autoridade episcopal, disputas doutrinárias, produção patrística, ascese, construção da ortodoxia e os impactos políticos da cristianização do Império Romano. Ao tratar da formação da Igreja antiga, a mesa contribuiu para compreender que os estudos eclesiais não se restringem à modernidade ou à história brasileira, mas se enraízam nos processos antigos de organização, conflito, elaboração teológica e inserção social do cristianismo.
Mesa “450 anos da Prelazia do Rio de Janeiro: Igreja, cidade e poder”
A mesa “450 anos da Prelazia do Rio de Janeiro: Igreja, cidade e poder” contou com a presença da professora Márcia Amantino — UERJ, do professor Dom Mauro Maia Fragoso — FSBRJ e do padre Eduardo Douglas — Arquidiocese do Rio de Janeiro.
A mesa trouxe ao centro do debate a formação religiosa, política, territorial e institucional do Rio de Janeiro, refletindo sobre a presença da Igreja na cidade desde o período colonial. Foram discutidas questões como a criação das estruturas eclesiásticas, a relação entre Igreja, Coroa e administração colonial, a organização do território, a presença de ordens religiosas, as freguesias, o clero, as populações locais e as formas de poder que atravessaram a construção histórica da cidade.
Ao abordar os 450 anos da Prelazia do Rio de Janeiro, a mesa permitiu compreender a Igreja como agente histórico fundamental na formação da cidade, de seus espaços, hierarquias, devoções, conflitos, patrimônios e memórias. O tema dialogou diretamente com os simpósios sobre sociedade colonial, nos quais foram apresentados trabalhos sobre sacramentos, escravizados, clero secular, indígenas, livres de cor, Mosteiro de São Bento, conflitos entre colonos e religiosos e proposições heréticas no século XVIII.
Mesa “Estudos Eclesiais, Dívidas e Pendências Estruturais”
A mesa “Estudos Eclesiais, Dívidas e Pendências Estruturais” constituiu um dos momentos mais importantes da I Semana de História da Igreja e Estudos Eclesiais, ao propor uma reflexão crítica sobre os limites, lacunas e desafios que ainda atravessam a produção acadêmica voltada ao estudo da Igreja, dos cristianismos, das instituições religiosas e dos fenômenos eclesiais.
Estiveram presentes como conferencistas a professora Ivenise Santinon — PUC-Campinas, o professor Celso Carias e a mestranda Elaine Maria — PUC-Rio.
O debate colocou em questão a necessidade de ampliar os objetos, métodos e sujeitos dos Estudos Eclesiais, evitando que esse campo permaneça restrito às grandes instituições, às narrativas clericais, aos documentos oficiais ou a leituras exclusivamente confessionais. A mesa apontou para a importância de incorporar dimensões historicamente silenciadas ou secundarizadas, como raça, gênero, classe, sexualidade, território, periferias, experiências populares, arquivos negligenciados, dissidências, protestantismos, conflitos internos e relações entre religião e poder.
A discussão também reafirmou a importância de estudar os fenômenos eclesiais de modo crítico, interdisciplinar e não confessional, reconhecendo tanto as contribuições históricas das instituições religiosas quanto suas ambiguidades, tensões, responsabilidades sociais e implicações políticas. Nesse sentido, a mesa esteve profundamente alinhada à missão do GHIEC: construir um espaço universitário plural e rigoroso para investigar a Igreja e os fenômenos religiosos em sua complexidade histórica, cultural, social e simbólica.
Esse momento foi decisivo para a identidade acadêmica do grupo, pois evidenciou que os Estudos Eclesiais precisam enfrentar suas próprias dívidas historiográficas, metodológicas e estruturais. Ao trazer à tona essas pendências, a Semana reafirmou seu compromisso com uma produção acadêmica atenta aos sujeitos marginalizados, às memórias em disputa e aos desafios contemporâneos do estudo da religião na universidade pública.
Mesa “História da Igreja: métodos, teorias e diálogos interdisciplinares”
A mesa “História da Igreja: métodos, teorias e diálogos interdisciplinares” contou com a presença da professora Beatriz Moraes Vieira — UERJ, do professor doutor Adailton Maciel Augusto — ITESP e da professora doutora Silvania Francisca de Jesus.
A mesa propôs uma reflexão sobre os caminhos metodológicos e os desafios teóricos da História da Igreja e dos estudos sobre os cristianismos. O debate discutiu a necessidade de estudar a Igreja a partir de uma perspectiva crítica, interdisciplinar e não confessional, sem reduzir esse campo a uma narrativa meramente institucional, clerical ou apologética.
Os conferencistas apontaram para a importância de ampliar os objetos, métodos e sujeitos da pesquisa histórica, incorporando arquivos, experiências, conflitos, territorialidades, memórias, práticas religiosas, disputas internas e relações entre religião e poder. A mesa contribuiu para delimitar o lugar dos estudos eclesiais dentro das Humanidades, reconhecendo a importância da crítica historiográfica, da análise documental e do diálogo com diferentes abordagens teóricas.
Esse eixo foi fundamental para a identidade do GHIEC, pois reafirmou a proposta do grupo de construir um espaço não confessional, interdisciplinar e crítico, capaz de estudar a Igreja em suas múltiplas dimensões históricas.
Mesa “Fé, Militância, Juventudes, Pastorais e Igreja Popular na Resistência”
A mesa “Fé, Militância, Juventudes, Pastorais e Igreja Popular na Resistência” foi um dos momentos centrais da I Semana de História da Igreja e Estudos Eclesiais ao propor uma reflexão sobre as relações entre experiência religiosa, engajamento social, juventudes, pastorais e resistência popular.
Estiveram presentes como conferencistas Juniane Bernardo Bispo — UERJ, a professora doutora Dilma Mello da Silva — SEEDUC, o professor doutor Paulo Limongi — IESP/UERJ e o professor doutor padre Adailton Maciel Augusto — ITESP.
A mesa discutiu a presença de sujeitos e comunidades religiosas em processos de mobilização social, formação política, atuação pastoral e resistência diante de contextos de desigualdade, autoritarismo e exclusão. O debate permitiu pensar a Igreja Popular não apenas como expressão religiosa, mas como experiência histórica de organização comunitária, participação social e compromisso com a transformação da realidade.
Os conferencistas abordaram dimensões como juventude, militância, educação, memória, pastoralidade, ação social e presença pública da fé. A mesa também contribuiu para evidenciar como determinadas experiências eclesiais, especialmente em contextos populares, produziram formas concretas de solidariedade, consciência crítica, resistência política e compromisso com a dignidade humana.
Nesse sentido, a discussão reafirmou uma das marcas da Semana: compreender os fenômenos religiosos em sua relação com a história viva das comunidades, dos movimentos sociais, das pastorais e dos sujeitos que, a partir da fé, construíram caminhos de resistência e participação pública.
Mesa “Identidade, Memória e Testemunho: as Igrejas Protestantes no Brasil”
A mesa “Identidade, Memória e Testemunho: as Igrejas Protestantes no Brasil” ampliou o horizonte da I Semana ao colocar em destaque as tradições protestantes, suas trajetórias históricas, suas formas de presença pública e seus processos de construção identitária no Brasil.
Participaram da mesa o professor Bruno da Silveira Albuquerque — SEEDUC e o professor doutor Cláudio de Oliveira Ribeiro — Universidade Federal de Juiz de Fora.
O debate destacou que os Estudos Eclesiais não se restringem ao catolicismo, mas incluem também as múltiplas expressões do cristianismo brasileiro, entre elas os protestantismos históricos e suas formas de organização, memória, testemunho, espiritualidade e atuação social.
A mesa abordou questões relacionadas à identidade protestante, à memória das comunidades, à presença das igrejas no espaço público, às experiências de testemunho religioso, às disputas internas e às formas pelas quais os protestantismos dialogaram com a sociedade brasileira em diferentes contextos históricos.
Ao incluir essa reflexão na programação, a Semana reafirmou sua vocação plural e interdisciplinar, reconhecendo que a História da Igreja e os Estudos Eclesiais precisam considerar a diversidade cristã brasileira, suas tensões, permanências, transformações e contribuições para a formação religiosa, cultural e social do país.
Mesa “Igreja, Ditadura e CEBs”
Outro momento central da programação foi a mesa “Igreja, Ditadura e CEBs”, com a participação do padre Ricardo Rezende, da UFRJ, do padre Luiz Corrêa, da PUC-Rio, e do professor Ricardo Antônio Mendes, vice-diretor do IFCH/UERJ.
A mesa discutiu as relações entre Igreja Católica, ditadura militar brasileira, Comunidades Eclesiais de Base, resistência política, repressão, memória e ação pastoral. Os conferencistas abordaram o papel de setores eclesiais no enfrentamento ao autoritarismo, bem como as tensões internas vividas pela Igreja no período, marcada por diferentes posições políticas, teológicas e pastorais.
O debate destacou a importância das CEBs como espaços de formação comunitária, leitura crítica da realidade e atuação social. Também foram discutidos os vínculos entre religião, direitos humanos, movimentos populares e luta democrática. Ao tratar da Igreja durante a ditadura, a mesa contribuiu para compreender como o campo religioso se tornou também um espaço de conflito, vigilância, resistência e produção de memória histórica.
Mesa “Igreja, Pastorais, Movimentos Sociais e Teologia da Libertação”
A mesa “Igreja, Pastorais, Movimentos Sociais e Teologia da Libertação” reuniu a professora Maria Adélia de Souza, da USP, o deputado federal Reimont e o padre Adailton Maciel Augusto.
A discussão abordou a relação entre Igreja, pastorais sociais, movimentos populares, Teologia da Libertação, justiça social, democracia e compromisso histórico com os pobres. A mesa evidenciou como determinadas experiências eclesiais no Brasil e na América Latina se articularam a processos de organização popular, defesa dos direitos humanos, luta por moradia, trabalho, dignidade e participação política.
A presença da professora Maria Adélia de Souza trouxe ao debate a dimensão territorial, social e política das práticas religiosas, permitindo pensar a atuação eclesial em relação aos espaços urbanos, periferias, desigualdades e formas de organização coletiva. O deputado federal Reimont contribuiu com uma leitura marcada pela experiência política e pela atuação junto a movimentos sociais e pastorais. O padre Adailton Maciel Augusto articulou a reflexão teológica e histórica, situando a Teologia da Libertação como uma das expressões mais significativas da relação entre fé cristã, práxis social e transformação histórica.
A mesa reforçou que a história da Igreja não pode ser separada das lutas sociais, dos conflitos políticos e das formas concretas pelas quais comunidades religiosas interpretaram e enfrentaram as desigualdades do país.
Simpósios temáticos e comunicações acadêmicas
Além das mesas principais, a I Semana contou com simpósios temáticos organizados em cinco grandes eixos. As comunicações abordaram temas como cristianismo antigo, hagiografia, filosofia cristã, história das ideias, ciência, economia, patrimônio religioso, arte sacra, memória, sociedade colonial, protestantismo, ditadura militar, Teologia da Libertação, tradicionalismo católico, conspiracionismo, gênero, sexualidade, cultura popular, territorialidades religiosas e disputas contemporâneas.
Entre os trabalhos apresentados, destacaram-se pesquisas sobre a iconografia das igrejas cariocas nas obras de artistas viajantes oitocentistas, a formação de guardiões do patrimônio no projeto dos vitrais da Igreja da Candelária, a representação da Igreja Medieval no universo de The Witcher 3, a comunhão de bens em Qumran e na Igreja Primitiva de Jerusalém, o martírio em Orígenes de Alexandria, o cristianismo insular e o poder abacial feminino, os sacramentos recebidos por escravizados defuntos de Irajá, o Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, os conflitos entre colonos e religiosos no Rio de Janeiro seiscentista, a atuação de presbiterianos e metodistas durante a ditadura militar, a recepção do Concílio Vaticano II na Diocese de Pinheiro, a vigilância de religiosos católicos pelo SNI, a experiência radiofônica “Atualidades Católicas” no Agreste pernambucano, o tradicionalismo católico na periferia do Rio de Janeiro e a relação entre Igreja Católica e homossexualidade.
Parte das comunicações foi realizada em formato híbrido, permitindo a participação de pesquisadores de outras regiões do Brasil. As sessões ocorreram no Mini Auditório Jaime Antunes, sala 9042, no 9º andar do IFCH/UERJ, espaço que se tornou, durante a semana, ponto de encontro entre docentes, discentes, pesquisadores, conferencistas e participantes interessados no estudo acadêmico das religiões e das instituições eclesiais.
Organização e construção coletiva
A organização da Semana envolveu intenso trabalho coletivo da coordenação do GHIEC. A iniciativa foi conduzida por Nathan Afonso, coordenador geral do grupo, ao lado de Henrique Samorini, vice-coordenador, e Camila Gomes, coordenadora adjunta, além de colaboradores que participaram da construção da programação, recepção de convidados, organização de comunicações, divulgação, logística e mediação das atividades.
O evento contou ainda com o apoio de professores, parceiros institucionais, grupos de pesquisa, editoras, colaboradores externos e membros da comunidade acadêmica. A realização da Semana demonstrou a força de uma iniciativa discente quando articulada com orientação docente, apoio institucional e compromisso coletivo.
GHIEC, IFCH e PROEPER
A Semana também evidenciou a aproximação do GHIEC com o PROEPER/UERJ — Programa de Estudos e Pesquisas das Religiões, fortalecendo a inserção do grupo em uma rede acadêmica dedicada ao estudo das religiões, religiosidades, experiências eclesiais, cultura, memória, política e sociedade.
A presença do professor Jean Felipe Assis, do PROEPER, e a vinculação institucional do GHIEC ao programa indicam a continuidade de uma trajetória voltada à consolidação dos estudos da religião no interior da UERJ. Ao lado disso, o acompanhamento do professor Ricardo Antônio Mendes como professor orientador do grupo fortalece a relação do GHIEC com o IFCH e com o Departamento de História.
Um marco para os estudos eclesiais na universidade pública
Além das atividades acadêmicas, a Semana reforçou a importância da universidade pública como espaço plural de debate sobre o fenômeno religioso. O GHIEC se apresenta como grupo interdisciplinar e não confessional, comprometido com o rigor científico, a crítica histórica e a abertura ao diálogo. Sua proposta não é promover apologética ou militância religiosa, mas construir um espaço universitário de investigação qualificada sobre a Igreja, os cristianismos e suas múltiplas relações com a sociedade.
A realização da I Semana de História da Igreja e Estudos Eclesiais representou um marco para o grupo e para o IFCH/UERJ. Ao reunir conferencistas reconhecidos, estudantes, pesquisadores e participantes de diferentes trajetórias, o evento demonstrou que a História da Igreja e os Estudos Eclesiais constituem campos legítimos e necessários para a compreensão da vida social, política, cultural e simbólica.
Mais do que um congresso, a Semana inaugurou um caminho. A partir dela, o GHIEC fortaleceu sua identidade, ampliou suas redes acadêmicas, acolheu novos interessados, aprofundou sua relação com o IFCH e com o PROEPER e deu início a novos projetos, como a criação de seu site institucional, a organização de uma revista acadêmica e o planejamento de novas atividades de ensino, pesquisa, extensão e divulgação científica.
Ao final do evento, permaneceu a convicção de que estudar a Igreja é também estudar a história das sociedades, das ideias, das instituições, dos conflitos, das memórias e das formas pelas quais o ser humano busca sentido, comunidade e transcendência. Nesse horizonte, a I Semana de História da Igreja e Estudos Eclesiais afirma o GHIEC/UERJ como um novo espaço de produção acadêmica, diálogo interdisciplinar e reflexão pública sobre religião, história e sociedade.









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